Não sei já onde li ou ouvi a defesa da ideia de que nas eleições dos Estados Unidos todos deveríamos poder votar. Não sei já onde li ou ouvi porque acho que já li e ouvi em muitos sítios. Não sei já onde li ou ouvi mas concordo. Afinal, estas eleições afectam-nos tanto (ou mais, muitas vezes) que as nossas próprias. Mais porque quando os nossos Chefes de Estado são chamados a responder pelos Estados Unidos, raras são as vezes em que não metem o rabinho entre as pernas e não fazem o que os senhores do mundo mandam.
Normalmente não presto muita atenção ao que os senhores-que-brincam-à-política no nosso país dizem. Digo brincam à política porque é, claramente, o que eles têm andado a fazer nos últimos (largos) anos. Ou então brincam-ao-encher-os-bolsos-dos-amigos-esvaziando-os-da-população. Também pode ser.
Voto sempre. Acho que é um dever cívico e que devo manifestar-me, porque tenho esse direito e porque tenho esse dever. Só vivemos verdadeiramente numa democracia se escolhermos concretizá-la. E nessa altura presto mais atenção ao que os senhores dizem. Infelizmente, das últimas vezes que votei foi quase sempre no mal menor. Porque não houve nenhum que me convencesse de que iria fazer um bom trabalho.
Houvesse por cá políticos assim e talvez outro galo cantasse. Votasse eu lá na terra azul e vermelha e seria dele o meu voto. Apesar de me ter parecido ouvir, tipo mensagem subliminar, uma promessa de nova guerra, desta feita contra o Irão, no discurso em que se assumiu o candidato democrata. O futuro me provará certa ou errada, esperemos que errada e que seja só campanha política.
Mas se houvesse por cá políticos assim também não iríamos mal servidos. Políticos com princípios. Daqueles que até o fazem levantar-se contra o próprio partido (como na questão das torturas aos prisioneiros de guerra) e, mesmo assim, ganhar a nomeação. Por cá, só se fosse o senhor Manuel Alegre, mas esse está demasiado preso à grilheta da Revolução para conseguir olhar em frente.
Nas eleições dos Estados Unidos todos deveríamos votar. Se bem que depois destas próximas eleições, ganhe quem ganhar, poderemos, certamente, dormir muito mais descansados do que nos últimos anos.